Projetos de Investigação em curso

Laboratório(s) da Preguiça

Duração: 01/09/2018 a 31/07/2019
Financiamento: Câmara Municipal da Ribeira Brava, Ilha de S. Nicolau, Cabo Verde.
Coordenação: Leão Lopes (Atelier Mar e MEIA) e Walter Rossa (Universidade de Coimbra).
Comissão Científica: Adelino Gonçalves e Nuno Lopes (Universidade de Coimbra).

Palavras-chave: Ação integrada, planeamento estratégico, desenho urbano, processos e sistemas construtivos.

Resumo
Em parceria e sob coordenação da ONG Atelier Mar e com o MEIA, Instituto Universitário de Arte, Tecnologia e Cultura, ambos sediados no Mindelo — que por sua vez foram objeto de solicitação específica do Ministério das Infraestruturas, Ordenamento do Território e Habitação de Cabo Verde e do Município da Ribeira Brava — o Departamento de Arquitetura da Universidade de Coimbra [DARQ] e a Cátedra UNESCO em Diálogo Intercultural em Patrimónios de Influência Portuguesa [Patrimónios], comprometeram-se com o desenvolvimento de uma ação integrada de planeamento estratégico, desenho urbano e arquitetura para a Vila da Preguiça daquele município.

A Patrimónios e o DARQ respondem ao desafio com uma equipa constituída por 3 professores e 9 alunos do Seminário de Investigação em Arquitetura (1º semestre) e, em sequência, Laboratório de Projeto (2º semestre) do Mestrado Integrado em Arquitetura, em que as dissertações de mestrado que ali estão a ser desenvolvidas corresponderão ao conjunto integrado de planos e/ou projetos que darão corpo àquela ação. A estes junta-se um professor e uma aluna do MEIA. São, por conseguinte, 10 alunos e 4 professores de arquitetura e urbanismo.

O trabalho tem como prazo de desenvolvimento o ano-letivo 2018-2019, tendo assim começado em finais de setembro e prevendo-se a entrega em junho, reservando-se julho para a conversão de alguns elementos do formato académico ao de plano e/ou projeto em termos e suportes que permitam a sua aprovação e implementação administrativas e em obra.

Durante os meses de outubro e novembro a equipa procedeu à recolha e estudo de dados, bem como à identificação da problemática e respetivos contextos e exemplos de boas práticas. Foi-se também preparando uma missão conjunta de trabalho na Vila da Preguiça, que teve lugar entre os dias 8 e 12 de dezembro, complementada por uma brevíssima visita à Praia, capital do país, 2 dias no Mindelo e 1 dia na ilha de Santo Antão. Estes 3 dias foram muito importantes para se tomar contacto com realidades concretas dos materiais, processos e sistemas construtivos que o Atelier Mar tem vindo a implementar em situações similares, bem como sobre casos de intervenções integradas com muitos pontos de similitude com a que a Vila da Preguiça requer.

Estes 4 docentes são não apenas responsáveis pela orientação pedagógica e científica das dissertações de mestrado em questão, como pela validação técnica dos planos e projetos, responsabilizando-se ainda pela realização de outros projetos que o desenrolar do processo possa vir a requerer.

WUD

THE WORLDS OF (UNDER)DEVELOPMENT: PROCESSES AND LEGACIES OF THE PORTUGUESE COLONIAL EMPIRE IN A COMPARATIVE PERSPECTIVE (1945-1975)

Duração: 15/07/2018 a 14/07/2021
Financiamento: FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional através do COMPETE 2020 – Programa Operacional Competitividade e Internacionalização (POCI) e por fundos nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia (POCI-01-0145-FEDER-031906).
Coordenação:  Miguel Bandeira Jerónimo.
Investigadores: Alexandre Keese; Amalia Ribi Forclaz; António Costa Pinto; Cláudia Castelo; Corinna Unger; Damiano Matasci; Diogo Ramada Curto; Filipa Silva; Hugo Dores; Jessica Pearson-Patel; Margarida Calafate Ribeiro; Meredith Elaine Terretta; Moritz Johannes Feichtinger; Nuno Domingos; Pedro Jesus; Phillip Jan Havik; Walter Rossa.

Palavras-chave: colonialismo tardio, desenvolvimento, políticas da diferença, internacionalismo.

Resumo
Os mundos do (sub)desenvolvimento mapeará, de modo crítico e empírico, as principais dinâmicas do colonialismo tardio nas colónias portuguesas de Angola, Guiné e Moçambique (1945-1975) e o modo como estas sobreviveram aos processos de descolonização, condicionando as sociedades pós-coloniais. Articulando diferentes escalas analíticas, do internacional ao local, e convocando os inúmeros actores e redes que entre elas circularam, o projecto estudará as manifestações e o impacto da pluralidade de programas, iniciativas e doutrinas de ‘modernização’ política, económica e sociocultural durante os anos finais do império, assim como das suas ressonâncias e legados, recorrendo a diversos tipos de fontes e arquivos. Englobando contextos rurais e urbanos, e suas intersecções, interrogar-se-á o modo como o desenvolvimentismo colonial se articulou com o conjunto de políticas da diferença, características de todos os impérios coloniais europeus contemporâneos. As dinâmicas de continuidade e mudança, as instrumentalizações e reapropriações de linguagens e modelos de desenvolvimento que marcaram a transição para as independências serão preocupações investigativas centrais. De igual modo, recentra-se a história do colonialismo português tardio através da inclusão de processos mais recuados no tempo, questionando a rígida baia cronológica associada ao início dos conflitos militares nos anos 60. O projecto focar-se-á ainda na mútua constituição e permanente interacção entre práticas e regulamentos locais, políticas imperiais e modalidades de intervenção política e técnica de entidades internacionais e transnacionais, para o que contribuirão as competências versáteis da equipa de investigação. Estas últimas também permitirão que o desenvolvimentismo colonial português seja interrogado de modo comparativo por relação com outros impérios, facilitando ainda a análise de processos de circulação de conhecimento técnico-científico e de políticas sociais ou de instâncias de cooperação interimperial. Estes processos serão relacionados com a emergência concorrencial de linguagens e modelos desenvolvimentistas à escala global, nomeadamente em diversas organizações internacionais e transnacionais.

Este projecto sustentar-se-á numa larga rede de investigadores experimentados, nacionais e internacionais, que irão desta forma expandir as suas investigações em domínios concretos do colonialismo tardio europeu e explorar novos cruzamentos analíticos, através de exercícios comparativos ou combinando objectos de estudo que são frequentemente estudados de modo isolado. Serão três as linhas de pesquisa que merecerão atenção particular: As terras do trabalho: trabalho, propriedade e território; Os direitos da exclusão: cidadania, desenvolvimento e segurança; As oficinas das almas e dos corpos: educação, cultura e ciência. O estudo das variadas interdependências históricas entre estes fenómenos também constitui um objectivo primordial deste projecto de investigação.