Projetos de Investigação concluídos

De S. Paulo de Luanda a Luuanda, de Lourenço Marques a Maputo: capitais coloniais em tempos pós-coloniais

Duração: 01/05/2012 a 30/09/2015
Financiamento: FCT
Coordenação: Margarida Calafate Ribeiro
Investigadores: Francisco Noa; Júlia Garraio; Nuno Simão Gonçalves; Phillip Rothwell; Roberto Vecchi; Walter Rossa.
Consultores: Fátima Mendonça; Júlio Carrilho; Luandino Vieira.

Palavras-chave: Narrativas; Colonialismo/ Pós-Colonialismo; Capitais; Desenho.

Resumo:
Todas as cidades têm a sua história. Também assim Luanda e Maputo. Luanda, na costa atlântica, de influência arquitetónica e urbanística luso-brasileira. Maputo, à beira Índico, goza de outras influências que misturam África, Portugal e Índia com a matriz britânica, via África do Sul. No mundo destas cidades entrelaçam-se temporalidades, espacialidades e valores políticos. O arcaico convive com o moderno, o progresso com o atraso e todas as épocas expressam e reclamam atenção histórica: a era pré-colonial, a ocupação costeira, o colonialismo moderno, a independência, o pós-colonialismo.
Partindo do conceito de “cidade como texto” ou palimpsesto textual este projeto teve como principal objetivo a configuração e a análise das diferentes temporalidades na história das cidades de Luanda e Maputo e o seu reflexo e valor político no espaço urbano. Olharam-se estas cidades /capitais como espaços coloniais; espaços de resistência; e espaços fundadores das novas nações. Conjugando a literatura, a arquitetura e o urbanismo, o projeto traçou uma perspetiva inovadora no estudo da reciprocidade entre as diferentes temporalidades e as narrativas literárias, arquitetónicas e urbanísticas das cidades.

Resultados:
Colóquio internacional “Luanda e Maputo: O espaço urbano na literatura” (CES, Universidade de Coimbra 25 de setembro de 2015).
Dossier Cidades no “Journal of Lusophone Studies, com textos de Walter Rossa, Margarida Calafate Ribeiro, Júlia Garraio, Francisco Noa e Mónica V. Silva.
Ao longo de 2016 e início de 2017 serão publicados os livros “Mafalala: memórias e espaços de um lugar” e “Luanda e Maputo: espaço urbano e literatura” e será apresentado um site onde serão georreferenciados os textos e a cartografia recolhidos na investigação.

 

José Luandino Vieira – Diários do Tarrafal

Duração: 01/07/2013 – 30/06/2015
Financiamento: Fundação Calouste Gulbenkian
Coordenação: Margarida Calafate Ribeiro
Investigadores: Mónica V. Silva; Roberto Vecchi.

Palavras-chave: Literatura Angolana; Escrita de Cárcere; Luta Anti-Colonial; Prisões Políticas; Lutas de Libertação em Angola.

Resumo:
Este projeto de investigação trouxe a público um importante testemunho da luta de libertação angolana, ao publicar o acervo da prisão de um dos grandes escritores de língua portuguesa, José Luandino Vieira. Constituído por diversas materialidades, o acervo composto por 17 cadernos foi organizado pela equipa de investigação, segundo critérios cronológicos e espaciais e de maneira filologicamente estruturada. A edição contém um estudo analítico dos organizadores, uma entrevista como o autor e uma cronologia.

Resultados:
Papéis da Prisão – apontamentos, diário e correspondência (1962-1971), de José Luandino Vieira, Caminho/Leya, 2016. Organização de Margarida Calafate Ribeiro, Mónica V. Silva e Roberto Vecchi.
Lançamentos: novembro em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, e em Coimbra, na livraria Almedina Coimbra; março em Luanda, União de Escritores Angolanos em Luanda; agosto o livro será apresentado no Centro Cultural de Portugal em Maputo.

 

Internacionalização do Programa de Doutoramento Patrimónios de Influência Portuguesa (III/CES/UC)

Duração: maio 2013 – maio 2015
Financiamento: Fundação Calouste Gulbenkian
Coordenação: Walter Rossa; Margarida Calafate Ribeiro
Coordenador executivo: João Paulo Dias

Palavras-chave: Patrimónios de Influência Portuguesa; Internacionalização; Cotutela; Mobilidade Docente e Discente.

Resumo:
O projeto teve como objetivo a internacionalização do Programa de Doutoramento Patrimónios de Influência Portuguesa do Instituto de Investigação Interdisciplinar e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.
A internacionalização articulou-se em torno do eixo Europa-Brasil, com a Universidade Federal Fluminense, tendo como parceiros europeus as universidades do Algarve, Bolonha e Paris Ouest Nanterre La Défense e em África a Universidade Eduardo Mondlane, colocando-se no horizonte de expectativa mais articulações com o continente africano e uma colaboração a Oriente, com especial enfoque na Índia, Macau e Timor-Leste.
O projeto criou um consórcio entre as universidades referidas, convertendo-se num programa doutoral cotitulado. Oferecendo excelência e inovação o programa de doutoramento, baseia-se hoje na mobilidade internacional, docente e discente, criando equipas de pequena e grande dimensão e massa crítica capaz de fundar um think tank na área de Patrimónios de Influência Portuguesa.

Resultados:
Assinados protocolos de cotutela com as universidades Federal Fluminense, Algarve, Bolonha e Paris Ouest Nanterre La Défense e Eduardo Mondlane.
Criação de um Conselho Consultivo e de Avaliação Externa do curso e das atividades a ele ligadas.
Concessão de bolsas de curta duração para os estudantes realizarem trabalho de campo e estágios nas instituições do consórcio.
Colóquio internacional Patrimónios de Influência Portuguesa: conceitos e instrumentos (13-14 de julho 2014, Universidade de Coimbra).
Publicação do livro organizado por Walter Rossa, Margarida Calafate Ribeiro, “Patrimónios de Influência Portuguesa: modos de olhar” Imprensa Universidade de Coimbra, 2015.
A 3ª edição do Doutoramento (2015-2019) começou no formato internacional, envolvendo as universidades do consórcio.

 

UNESCO’s Global Report on Culture and Sustainable Urban Development: regional survey for Portuguese speaking countries

Duração: 01/08/2015 a 31/07/2016
Financiamento: UNESCO
Coordenação: Walter Rossa
Investigadores: Adelino Gonçalves; Andréa Sampaio; Fernando Pires; Hélia Santos; Isabel Boavida; Juliana Barreto; Lisandra Franco de Mendonça; Marcela Santana; Maria José Freitas; Maria Lúcia Borges; Margarida Relvão; Nuno Simão Gonçalves; Sílvia Leiria Viegas; Tiago Castela.
Consultores: José Pessôa; Júlio Carrilho; Leão Lopes; Leonardo Castriota; Sílvio Zancheti.

Palavras-chave: Cidades; Património; Cultura; Sustentabilidade, Planeamento.

Resumo
Hoje em dia, mais de metade da população mundial vive em áreas urbanas. É possível prever que, nos próximos 30 anos, 70% da população estará a residir em cidades. Nas últimas décadas as cidades tem desempenhado um papel importante na promoção de políticas de desenvolvimento sustentável, usando a cultura como um recurso fundamental para a sua promoção, para preservar as identidades das comunidades e das individualidades, atrair visitantes e atividades, e favorecer o desenvolvimento de uma economia criativa e de qualidade de vida.
Neste contexto, e considerando que, para cultura, o principal ponto de entrada na Agenda de Ação 2030 para o Desenvolvimento Sustentável é o das cidades sustentáveis, a UNESCO, no quadro das suas Convenções Culturais, tomou a iniciativa de elaborar um Relatório Global para a Cultura e o Desenvolvimento Urbano Sustentável.
Além das regiões convencionais da ONU, determinadas por critérios geográficos, foi considerada uma “região cultural”, precisamente a dos países de língua portuguesa. Para a elaboração do relatório relativo a esta área foi adotada uma metodologia que consiste na produção de oito relatórios regionais dos quais será feita uma síntese para composição do Relatório Global. A investigação implícita na elaboração destes relatórios irá também contribuir para a investigação de doutoramento de alguns dos investigadores juniores envolvidos. O relatório em si será disponibilizado online e os seus resultados serão utilizados pela UNESCO, como parte do Relatório Global, a ser apresentado na Habitat III em 2016.